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LC-37 Resumo

Integracão de Uso da Terra, Fogo e Fluxo de Carbono em Paisagens Críticas da Amazônia: As cabeceiras do Xingu e o Corredor da BR-163

Oriana Almeida — IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (SA-PI)
Daniel Nepstad — Woods Hole Research Center (US-PI)
Britaldo Soares Filho — UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais (SA-PI)

Sumário:

A taxa anual de desmatamento na Amazônia aumentou em mais de 60% desde 2001, a medida que forças econômicas globais e outros desenvolvimentos tecnológicos aumentaram o retorno de gado e cultura da soja na região. A pecuária interage de forma sinergética com a extração de madeira causando fogo de chão no sub-bosque da floresta, o que pode até dobrar as emissões de carbono advindas de uso da terra na Amazônia durante anos de seca severa. No entanto, devido ao crescente papel do mercado internacional na dinâmica de uso da terra na região tem também significado maior pressão sobre os produtores para melhorar suas praticas de manejo. Esta pressão pode potencialmente enfraquecer o feedback positive entre uso da terra, seca e fogo. Uma simulação acurada do impacto potencial dessas novas forças de mercado no paisagem da Amazônia e suas emissões de carbono vão necessitar uma integração de modelos de uso da terra que são sensíveis à margem de lucro da produção e à estratégias de uso e manejo da terra. Tais modelos vão ter que ser de resolução alta o suficiente para capturar decisões sobre o uso do solo feita em nível da propriedade, pois são estas decisões são feitas. Mas também tem que capturar fenômenos que se dão em nível da paisagem, como os processos de planejamento regional que estão acontecendo nas fronteiras mais dinâmicas da Amazônia.



Nós propomos desenvolver o trabalho já feito em pesquisa anterior da LBA-ECO para desenvolver dois modelos sub-regionais de alta resolução(0.2-0.5 km pixel), que integram modelos econômicos de quatro modalidades de uso da terra, um modelo do ecossistema e algoritmos do regime de fogo para simular trajetórias futuras de uso da terra, fogo e fluxo de carbono.

Nos vamos modelar duas fronteiras dinâmicas, as cabeceiras do Xingu, e o corredor da Br-163. Nos testaremos duas hipóteses:. (a) fontes de ignição de fogo ocorrem mais freqüentemente em paisagens dominada por pequenos produtores e menores em paisagens dominadas pelo cultivo de soja; (b) a dependência de pecuaristas no fogo como ferramenta de manejo da terra diminui a medida que a margem de lucro da fazenda aumenta; (c) grande parte dos assentamentos de pequenos proprietários está localizada aonde o potencial da lucratividade da agricultura é baixo, perpetuando a sua dependência em agricultura de semi-subsistência; (d) o uso de “best practices” (boas praticas) de uso da terra e cumprimento da legislação ambiental são recompensados através de melhore preços para soja, carne ou madeiras certificados, o quem poderá levar a menores emissões de carbono.

Os modelos resultantes vão incorporar varias base de dados do LBA, incluindo mapas de cicatrizes de fogo, produção de soja e estradas secundarias. Estes modelos vão criar simulações sensíveis as forces de mercado e políticas publicas que podem influenciar futuras trajetórias de uso da terra. Estes resultados são importantes informações e inputs para outros modelos, inclusive modelos hidrológicos, de erosão, climáticos, análises de fragmentação de habitat e projetos de zoneamento do território.

Neste sentido, a pesquisa proposta vai ao cerne de um dos objetivos mais intangíveis do LBA, apoio ao desenvolvimento sustentável. Este projeto apoiará cinco teses de doutorado (três brasileiros), e conta com o suporte e aval de agencies governamentais estaduais e federais no Brasil.

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